O empresário do ramo de transportes, P.H.P. de 47 anos, citou o atual secretário de governo da prefeitura de Hortolândia Carlos Augusto César, o Cafu, em um suposto esquema de estelionato onde o braço direito do atual prefeito Ângelo Perugini, o Cafu intermediaria facilitaria a venda de terrenos públicos por leilão na cidade.

De livre e espontânea vontade, o secretário se dirigiu até a delegacia de Polícia Civil para registrar um boletim de ocorrência onde negou toda e qualquer informação ou relação dele com  o suposto esquema e também negou ter relacionamento com o empresário.

Segundo relatos das possíveis vítimas do golpe, P. citava o nome Cafú às pessoas que convidava para participar da “compra” de terrenos supostamente “leiloados” pelo poder público municipal como sendo um de seus “contatos” dentro da Prefeitura de Hortolândia.

A autarquia municipal já negou no início da semana ter relacionamento com o empresário e também negou fazer ou administrar qualquer tipo de leilão ou atividade similar com relação aos terrenos públicos.

No BO registrado neste último dia 4 de Fevereiro, Cafu identificou o que poderia ser a forma de como o empresário  utilizava protocólos sem efeito para dar peso a venda e angariar recursos das vítimas.

Segundo o relato de Cafu, a primeira vez que o secretário teve conhecimento de ações envolvendo o empresário teria sido em novembro do ano passado, quando ele foi procurado por um vereador e duas vítimas do suposto golpe. “(O casal) noticiou que havia sido vítima de estelionato por parte de P.H.P., o qual ofereceu a
eles um terreno que seria supostamente leiloado pela Prefeitura de Hortolândia e que ele teria facilidade em conseguir e agilizar os documento junto à Prefeitura”, contou o secretário.

Na ocasião, Cafu assegurou ter esclarecido ao vereador e ao casal que “a Prefeitura não
faz leilão de terrenos”, e que ele próprio “não tem contato com a pessoa de P.H.P.”. Diante da informação, Cafu determinou que fossem levantados os protocolos em nome de P., conseguindo localizar três deles – dos anos de 2008, 2016 e 2018.

Analisando-os, Cafu observou que os pedidos eram para a transferência dos carnês de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) de três terrenos para o nome de P. “No entanto, (o empresário) não apresenta qualquer documentação comprobatória de propriedade ou representante legal dos proprietários (dos terrenos)”, acrescenta o BO.

Cópias dos três protocolos foram, inclusive, entregues à Polícia Civil, que já havia confirmado, dias antes, a instauração de ao menos 5 inquéritos para apurar os supostos casos de estelionato que teriam sido cometidos pelo empresário.

Ainda segundo o relato espontâneo do secretário à Polícia Civil, “quando ocorre isto (a falta de apresentação de documentação comprobató-
ria de posse), a Prefeitura notifica imediatamente (o requisitante) por AR (Aviso de Recebimento) ou telegrama, por 3 vezes, para o requerente apresentar a documentação”.

“Não comparecendo, arquiva-se o processo, o que ocorreu nos três casos mencionados”, ga-
rantiu Cafu.

‘MÁ-FÉ’

O secretário também notou que P.H.P. sempre se dirigia ao Departamento de Protocolo, e não na Secretaria competente pela cobrança do IPTU, como seria de praxe, “onde se percebe a má-fé (do empresário)”.

“Conforme relato do casal e de outras pessoas, para ludibriá-los, ele (o empresário) mostrava cópia destes protocolos, dos telegramas e ARs
da Prefeitura, solicitando seu comparecimento, dizendo às pessoas, demonstrando dessa forma que conseguia ‘rapidamente’ agilizar a ‘liberação’
dos terrenos”, aponta o BO feito por Cafu.

Por fim, segundo o secretário municipal, “nem P.H.P. ou qualquer outra pessoa possui qualquer ‘facilidade’ dentro da Prefeitura, e todo processo segue o trâmite da legalidade administrativa”. “E, se por ventura (P.) estiver utilizando o nome de servidores, o faz somente para dar credibilidade aos seus golpes e enganar as pessoas”, finaliza o registro de Car-los Augusto Cesar.

Matéria publicada originalmente pelo Jornal Tribuna Liberal de Sumaré