O Revisor-Geral do Vaticano (autoridade anticorrupção da Igreja) Alessandro Cassinis Righini, ordenou ao núncio apostólico no Brasil, arcebispo dom Giovanni d’Aniello que investigasse as graves denúncias de corrupção e coação envolvendo o bispo dom Vilson Dias de Oliveira da Diocése de Limeira, que também teria acobertado possíveis casos de pedofilia, hoje investigados pela Polícia Civil, onde o reitor e pároco da Basílica Santo António de Pádua de Americana, o padre Pedro Leandro Ricardo teria abusado sexualmente de menores de idade em Araras, Limeira e Americana.

A Diocese de Limeira confirmou ao O Expresso de São Paulo na manhã desta quarta-feira (20) que a pedido do “núncio apostólico”, o bispo de Lorena (SP), dom João Inácio Muller, está circulando entre as cidades onde ouve as denúncias “para um diálogo com o bispo diocesano e padres, para entender a situação”.

Dom Vilson Dias de Oliveira

O Ministério Público (MP) de São Paulo, determinou à Polícia Civil de Limeira (SP), que iniciasse uma investigação contra o bispo diocesano Dom Vilson Dias de Oliveira, suspeito de extorsão e coação a padres que não compactuassem com seus interesses.

O líder religioso é acusado de remover padres que não estiveram dispostos a compactuar com seus pedidos de dinheiro para causas próprias, o que implica aos delitos de perseguição, extorsão e enriquecimento ilícito.

Bispo Vilson Dias de Oliveira que é acusado de corrupção passiva e extorsão ao lado do Papa Francisco.

Em 2010, um balancete de gastos gerais da diocese levantou questionamentos de padres. Em uma reunião realizada para discutir os valores supostamente abusivos apresentados pelo bispo, a quantia de R$ 360 mil foi a pauta principal, já que a mesma havia sido classificada como “outras despesas”, sem discriminação do que foi realmente gasto. Dom Vilson teria recebido os questionamentos com muita indignação.

De acordo com a investigação, Dom Vilson teria 10 imóveis em seu nome, 5 em cidades litorâneas e 5 em sua cidade natal, algo incompatível com seus rendimentos de clérigo. A investigação também remete ao fato do bispo extorquir padres sob sua responsabilidade e negociar paróquias nesses moldes de corrupção: os padres que eram enviados para as paróquias em grandes centros teriam que contribuir repassando dinheiro ao bispo. Quem se negava era designado a paróquias de periferias.

Padre Pedro Leandro Ricardo

Ao menos quatro ex-coroinhas da Igreja Católica denunciaram em 2008 o reitor da Basílica de Santo Antônio em Americana/SP, padre Pedro Leandro Ricardo, 50, por suposto assédio sexual quando eles eram menores de idade e o auxiliavam na missa, porém o inquérito foi arquivado na época.

As denúncias de abuso sexual a menores de idade contra o Padre Pedro Leandro Ricardo já somam 8.

Agora, denunciado por 4 novos acusadores da cidade de Araras, onde o clérigo atuou nos anos 2000, o padre Pedro Leandro Ricardo afastado da função eclesiástica após reportagem da Folha de São Paulo revelar que ele está sob novas investigações do Ministério Público pelo mesmo suposto envolvimento com crianças que lhe tinham como guia.

As investigações estão em sigilo judicial. O que se sabe até agora é que as crianças são ex-coroinhas que tinham entre 11 e 17 anos quando o suposto assédio aconteceu. Eles narram que o contato sexual com o padre foi o primeiro de suas vidas, abuso este que começavam com “escorregadas de mão” até sexo oral.

Confira a nota divulgada pela assessoria da diocese disponibilizada à imprensa

“Enquanto as investigações são conduzidas pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, que tramitam em segredo de justiça, Dom Vilson já suspendeu de Ordem o padre Leandro, no dia 27 de janeiro, através do Decreto de Suspensão de Ordens (AD CAUTELAM), estando o referido religioso temporariamente afastado da função de reitor e pároco da Basílica Santo Antônio de Pádua, de Americana, até que todas as denúncias sejam esclarecidas, conforme observância do Código de Direito Canônico. Já existe uma investigação interna na Diocese de Limeira para apuração de qualquer denúncia, seja jurídica ou canônica.”

Sobre as acusações que recaem sobre sua pessoa, Dom Vilson diz que são apontamentos que não condizem com a verdade e que todas as questões já estão sendo esclarecidas ao Ministério Público do Estado de São Paulo.