Com apenas 19 anos, Julia Silvério exerce à meses a função de maquinista na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). A garota atua em trajetos entre a capital e o Aeroporto de Guarulhos, principalmente na Linha 13-Jade e, nas manhãs livres, estuda para passar no vestibular. “Quero entrar em direito”, conta.

Jovem se destaca por integrar a parcela de 5% de mulheres que assumem esse cargo

Após a separação dos pais, Júlia decidiu entrar no mercado de trabalho, viu um anúncio no mural de uma estação e deu início ao curso técnico do Senai de manutenção de linhas férreas, mas acabou desistindo. Pouco depois, ouviu dos professores que seriam abertas as inscrições de um concurso para maquinistas. Tentou a sorte e garantiu sua vaga.

Em meados de 2018, a jovem iniciou o treinamento para dirigir as locomotivas, que atingem até 90 quilômetros por hora, levam centenas de passageiros e pesam, em média, 200 toneladas.

Ali, ela precisa controlar por meio de um grande painel a frenagem dos vagões, ficar atenta a obstáculos na pista e saber orientar os passageiros em caso de pane elétrica, por exemplo. “A primeira vez em que pilotei sem um supervisor foi inesquecível”, conta.

Moradora do bairro de Artur Alvim, Júlia começa sua jornada na Estação Engenheiro Goulart, na Zona Leste, geralmente às 13 horas. “Às vezes, percebo que alguns passageiros estranham ao me ver na cabine.” A jovem também se destaca por integrar a parcela de apenas 5% de mulheres que assumem esse cargo.

(Veja SP; Imagens: Alexandre Battibugli/Veja SP)