Foi-se o tempo em que, para ser modelo, era preciso ser alta e magra. Atualmente, a diversidade é um pedido necessário e recorrente. É tempo de combater a propagação de estereótipos e padrões de beleza. Afinal, as consumidoras querem campanhas que se adequem à realidade de todos os tipos de mulheres.

Diante dessas mudanças, o mercado finalmente passou a dar destaque para modelos plus size. Pelo mundo, elas quebram barreiras e levantam a bandeira da representatividade e da autoestima. E a região de Campinas também está fielmente representada nesse “novo mundo”.

Cibelly Caetano é a revelação da moda plus size na RMC. Essa ariana de 21 anos é solteira e usa manequim 52. Do interior de São Paulo, nasceu e vive na cidade de Sumaré, que por fim, foi a mesma que nos encontramos para o bate papo.

Negra autêntica e assumida, ela reúne predicados que poucas modelos plus size possuem, não é fabricada, é linda por natureza. E brilha! Ah, como brilha!

E como se não bastasse essa “luz”, ela é extremamente profissional (leia-se: não se mete e não gosta de fofocas, trabalha e cumpre todos os seus compromissos profissionais pontualmente).

Esta é a capa do Facebook de sua pagina pessoal. Cibelly é polêmica em alguns de seus posts. Vale a pena acompanhar!

Combinado às 15 horas do último 3 de março em uma loja de açaí, a Cibelly chegou miticamente no horário agendado, e ao descer do UBER só se via olhares vindo de vários lados. Visivelmente envergonhada, ela apenas deu um sorriso e veio ao meu encontro.

Achei por bem falar um pouco do ocorrido, porque hoje ela já dá o que falar e serve de exemplo para muitas garotas que querem quebrar esse paradigma e se tornar modelo plus size, além de ter a autoestima lá em cima.

Tenho certeza que um dia a Cibelly Caetano fará sucesso além dos limites do mercado plus size. A baixo um bate papo com essa moça que você ainda vai ouvir falar muito:

OEXSÃOPAULO: Cibelly, como você começou no mercado plus size?

A minha história é exatamente como a de muitas meninas por aí. Eu cresci vendo mulheres maravilhosas em capas de revista, em desfiles, na televisão, todas muito mais magras do que eu, que sempre fui grandona. Por muito tempo eu não me achava bonita e nem merecedora das coisas por não estar no padrão estético imposto pela sociedade, e que não poderia ser feliz se eu não fosse daquele jeito.

Outra coisa que me acontecia muito eram as pessoas que vinham me dizer que eu sou bonita, mas deveria emagrecer mais para ficar ‘mais linda’, porque dessa forma meu corpo seria tão bonito como o rosto. Como se eu, do jeito que sou, não fosse bonita o suficiente.

Apesar de sempre seguir meus próprios padrões e nunca ter me incomodado com meu peso, eu, como mulher gorda e negra sempre quis me ver representada pela moda. Em 2012 ou 2013, eu ainda muito novinha, me recordo de ter visto na TV uma modelo de nome Ashley Graham que foi chamada de “cheinha” no Fashion Week de Nova York.

Mas o incentivo veio mesmo de algum tempo para cá, com essa nova tendência que está abrangendo o mercado como um todo. Nas redes sociais a “febre” das blogueiras e youtubers seguindo essa linha de trabalho é bem impactante, e com a ascensão e solidez da carreira da carioca Fluvia Lacerda no mundo da moda, acredito que foi o “estalo” que precisava para ingressar nesse mercado.

Após isso procurei informações como seria o mercado e acabei por procurar uma agência especializada nessa linha de negócio, e cá estou…

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OEXSÃOPAULO: Para você qual seu maior desafio em estar gorda?

Atualmente é não ser vista como algo diferente, aquela coisa exótica sabe? Engraçadinha, fofinha, muito menos como uma pessoa que faz corpo mole, cheia de mimimi. Assim como eu, várias mulheres estão demonstrando que temos muito mais á contribuir para o universo profissional e artístico etc. Porém o maior desafio mesmo é quebrar esse estigma, esse contexto escrutinizado por uma sociedade mentalmente doente. Eu tendo uma marca minha, em hipótese alguma eu iria gostar de vincular ela com uma pessoa “enrolada”, “preguiçosa” ou algo no padrão.

OEXSÃOPAULO: O meu maior desafio é transmitir que não é nada disso, que nós somos ativas, saudáveis, consumimos e temos muito a servir a sociedade e ao nosso país, trazendo ganhos e gerando oportunidades profissionais.

OEXSÃOPAULO: Você que gosta muito de viver na noite, já teve problema com o guarda roupa?

Tempos atrás não era essa coisa relativamente fácil que temos hoje em dia, com blusa de tule, calça destroye Nos dias atuais temos muitas opções comparando com antigamente, mas ainda são roupas mais artesanais e não tão acessíveis para o público em geral, sendo as vezes difícil de achar, poucas peças, muito caras, porém já conseguimos encontrar muitas marcas legais. Eu brinco que a Oh, querida! e o Clube da Meia-Calça são a alegria da clubber gordinha hahahah

OEXSÃOPAULO: Quais seus planos para o futuro?

Em termos de formação educacional, estou me preparando para fazer Artes Cênicas na Unicamp e posteriormente me qualificarei para atuar em direção teatral.

No mercado da moda, vou levar como um projeto profissional, sempre trabalhando de forma límpida e coerente.

OEXSÃOPAULO: Qual a dica que você da para quem está começando no mercado Plus Size?

É ter comprometimento com o que você vai fazer e levar muito a sério. Saber que é um trabalho árduo, e que mesmo se dedicando duro, por muito tempo não vai conseguir viver só disso. A renda que tiro com esse “novo mundo”, pago minhas contas, mas eu vislumbro atingir patamares mais altos, e por isso vou continuar me aperfeiçoando.

E outra, é importante também ter a real consciência de que não se ganha dinheiro de uma hora pra outra, da noite pro dia. Não é oba-oba. Por isso é extremamente importante se planejar, estudar e se estruturar. Na verdade, o ponto que eu quero chegar é que a cada dia você tem que ir formando os seus pilares para deixar a “sua casa” bem firme, pois quando vir a forte chuva ela pode te atingir, mas não vai te derrubar.

Por fim, está aí uma das obras de arte que o fotógrafo paulista @OsmarMoura esculpiu da musa Cibelly Caetano.